Fiéis, arcebispos, autoridades e admiradores lotaram a Catedral Metropolitana de Natal nesta quarta-feira (29) para celebrar os 100 anos
de vida de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito da capital potiguar. Com mais de sete décadas dedicadas a evangelizar, Dom Heitor tem um legado que se funde à história da Igreja Católica no Rio Grande do Norte.
O aniversário foi celebrado em missa em ação de graças, presidida pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso. Em homenagem ao centenário de Dom Heitor, esta quarta-feira também foi marcada pelo lançamento da biografia “Na unidade, na paz, na alegria – Dom Heitor 100 anos”. Ainda nesta semana, um documentário será lançado sobre a história dele.
Para o aniversariante, chegar aos 100 anos traz um sentimento “de profundo agradecimento a Deus, de dar um grito de paz e de alegria ao nosso Senhor Jesus Cristo”. Sorrindo, ele comemora a realização do aniversário no lugar onde passou dez anos “servindo a todos, sempre com a proteção de Deus e dos nossos santos mártires”.
: Dom João Santos Cardoso, arcebispo de Natal, define o aniversariante como “um homem da capacidade da escuta que, com grande leveza, conduz a vida”. “E ele chega bem à velhice, uma velhice bem realizada, um homem feliz. Isso é ainda mais importante. Lúcido, com a saúde adequada à sua idade, de modo que para nós da Arquidiocese de Natal é um momento de louvar e agradecer a Deus”, celebra.
E, assim, Dom Heitor continua evangelizando aos 100 anos, mesmo na emeritude, diz Dom João Santos Cardoso. Para ele, Dom Heitor deixou um grande legado tanto na Arquidiocese de Natal como em Caicó, mas o destaque vai para “a sua pessoa humana”. “É um homem da escuta, que vive o seu lema episcopal: unidade, paz e alegria”.
Otto Santana, 86, irmão de Dom Heitor, comemora o estado de saúde do arcebispo emérito. “O legado de Heitor é um legado de muito comprometimento com as pessoas. É alguém que sempre deu muita importância à valorização das pessoas, com uma abertura muito grande para o diálogo, para ouvir as pessoas, para entender as múltiplas e diversas situações de vida”, diz Otto Santana.
Para ele, o irmão “sempre soube ser esta pessoa firme nas suas convicções e, ao mesmo tempo, um homem muito respeitador das circunstâncias de cada uma das pessoas”.
Glauber Gentil, membro da comissão organizadora do centenário, diz que o evento foi pensado desde a comemoração dos 99 anos de Dom Heitor. Além de Natal, a celebração se estende às dioceses de Mossoró e Caicó. A missa em ação de graças, o livro e o documentário são parte das homenagens prestadas ao potiguar.
É uma agenda estadual, porque Dom Heitor é esse símbolo para a Igreja Católica do Rio Grande do Norte”, define Glauber Gentil. Segundo ele, o centenário é quase único, porque o homenageado segue lúcido, ativo e com boa memória.
A história de Dom Heitor se confunde com a história da Igreja Católica e do RN nos últimos cem anos, por todos os cargos que ele ocupou, por tudo que ele representou e pela pessoa que ele é”, conclui.
Dom Heitor nasceu em 29 de julho de 1926, em São José de Mipibu. Ele foi ordenado presbítero em 1950 e, em 1951, assumiu a Paróquia da Imaculada Conceição, de Nova Cruz. Entre 1962 e 1978, assumiu a cátedra de professor do Seminário de São Pedro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
O potiguar recebeu a sagração episcopal em 1978. Foi bispo da Diocese de Caicó de 1978 a 1993, ano em que foi elevado ao posto de arcebispo metropolitano de Natal, cargo em que permaneceu até 2003, quando o Papa João Paulo II aceitou a sua renúncia. Ele assumiu ainda o cargo de administrador apostólico até a chegada de seu sucess