Três familiares de adolescentes investigados pela morte do cachorro
Orelha foram indiciados por coação no curso do processo, segundo disse a
Polícia Civil de Santa Catarina nesta terça-feira. O crime aconteceu na
Praia Brava em Florianópolis.
A investigação sobre a agressão ao animal é feita pela Delegacia de
Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (Deacle). Já
o inquérito policial que resultou no indiciamento dos familiares foi
feito pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA). Os parentes,
que foram identificados apenas como um advogado e dois empresários,
teriam tentado coagir testemunhas do caso.
O inquérito na Deacle ainda não foi concluído. Nesta segunda-feira,
as duas delegacias cumpriram mandados de busca e apreensão a residências
dos adolescentes suspeitos e dos adultos que teriam coagido
testemunhas. Celulares e aparelhos eletrônicos foram apreendidos e serão
analisados pelos investigadores.
— Só por meio do procedimento da DPA, (a polícia) ouviu mais de 20
pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens de um total de 14 câmeras
de monitoramento, sejam elas públicas ou privadas, apenas referentes ao
fato do cão Orelha, o que totaliza mais de 1000 horas de gravações para
análise, fora as imagens dos demais atos criminosos conexos a essa
situação — disse a delegada Mardjoli Valcareggi.
Entenda o caso
O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que já
identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento na
agressão. Segundo a corporação, as apurações avançaram a partir da
análise de imagens de câmeras de segurança e de depoimentos de
moradores. O cão foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata no
início do ano, chegou a ser levado a atendimento veterinário, mas não
resistiu e passou por eutanásia.
Dois dos suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de mandados
de busca e apreensão nesta segunda-feira (26). Os outros dois estão nos
Estados Unidos, em viagem previamente programada, segundo a corporação.
Orelha era considerado um mascote da Praia Brava, onde morava havia
cerca de dez anos e era alimentado diariamente por moradores. No sábado
passado (17), um primeiro protesto já havia reunido pessoas no bairro
para pedir justiça.
Além das manifestações de rua, o caso também chegou ao Legislativo
estadual. O deputado estadual Mário Motta (PSD) defendeu publicamente a
criação de uma estátua em homenagem ao animal. Para ele, a iniciativa
seria uma forma de preservar a memória de Orelha e transformar a
indignação coletiva em um símbolo permanente de combate à violência
contra animais.
O GLOBO