A Polícia Civil do Rio Grande do Norte divulgou as imagens
e as identidades de dois homens apontados como supostos mandantes do atentado
contra o vereador de Mossoró e candidato a deputado federal Cabo Deyvison. O
ataque aconteceu em junho deste ano e terminou com a morte do assessor
parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais.
Os dois investigados foram identificados como Francisco
Thiago, conhecido como Euro, apontado como integrante do Comando Vermelho no
Ceará, e Ruan Tales, conhecido como Chaves, apontado como integrante da mesma
organização criminosa no Rio Grande do Norte.
Segundo o delegado responsável pelo caso, os dois são
apontados como responsáveis pela coordenação do atentado. A Polícia Civil
também investiga a possível participação deles em outros ataques e homicídios
registrados na região.
Mandados foram expedidos em setembro
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil,
os mandados de prisão preventiva contra os dois foram expedidos em 17 de
setembro. O processo tramitava em sigilo e, posteriormente, tornou-se público,
permitindo a divulgação das imagens e das identidades dos investigados.
A atualização ocorre após a Polícia Civil concluir, na
semana passada, as principais diligências do inquérito. Ao todo, seis pessoas
foram indiciadas por envolvimento no atentado.
Segundo a investigação, três suspeitos teriam participado
diretamente da execução do ataque, dois seriam responsáveis pela coordenação e
um teria participado conscientemente da ação. Um sétimo suspeito, conhecido
pelo apelido de “União”, também é investigado por possível participação na
coordenação, mas sua identidade ainda não foi confirmada.
Ataque foi planejado, segundo investigação
A Polícia Civil afirma que o crime foi planejado
previamente e que os envolvidos teriam desempenhado funções diferentes durante
a preparação, execução e acompanhamento da ação.
Parte do planejamento teria ocorrido por meio de um grupo
de WhatsApp chamado “Missão”. Entre os elementos analisados pelos
investigadores estão imagens de videomonitoramento, depoimentos,
reconhecimentos, impressões digitais encontradas nos veículos utilizados na
ação, perícias balísticas, armas e munições apreendidas, além de dados
telemáticos e mensagens.
Durante as investigações, dois suspeitos foram presos no
Ceará enquanto tentavam fugir. Um terceiro investigado teve a prisão preventiva
cumprida no dia 24 de junho.
Como aconteceu o atentado
O crime ocorreu em 15 de junho de 2026, nas proximidades da
UPA do Alto de São Manoel, em Mossoró. Cabo Deyvison fazia uma transmissão ao
vivo quando foi alvo dos disparos.
De acordo com a investigação, três homens armados chegaram
ao local em um Toyota Corolla preto e atiraram contra o grupo. Cabo Deyvison
foi atingido nas pernas, mas sobreviveu. O assessor parlamentar Alyson Dyego de
Oliveira Morais também foi baleado e morreu.
A Polícia Civil aponta que a atuação pública de Cabo
Deyvison contra organizações criminosas e suas lideranças estaria relacionada à
motivação investigada para o ataque. Essa é uma hipótese apresentada pela
investigação e não representa, por si só, conclusão judicial sobre a motivação
do crime.
O inquérito com os seis indiciados foi encaminhado ao Poder
Judiciário e está à disposição do Ministério Público. As investigações
continuam para esclarecer a participação do suspeito conhecido como “União” e
verificar o eventual envolvimento de outras pessoas.