O senador Flávio Bolsonaro publicou uma carta, nesta
quarta-feira (28/10), após sua ida para os Estados Unidos. No comunicado, ele se
apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. (Fonte Metrópoles)
#Discurso de Flávio Bolsonaro
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro
presidente eleito do Brasil.
Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso
de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano
por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos
valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor
da liberdade de expressão.
Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante
dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu
que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais
de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.
Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação
no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando
as urnas já estavam encerradas.
Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a
defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E
as nulidades não são o único problema.
Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da
máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados
por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano
previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o
juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no
inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito
provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs
em andamento a máquina de perseguição política do regime.
Sendo impedido de origem e completamente suspeito para
iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em
atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.
Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei
exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de
Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e
até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa
que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma
Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.
Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão
contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às
bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de
chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.
Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica,
censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação
política.
Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece
passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização
política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos,
onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao
governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não
temos mais no Brasil.
Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil,
saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois
calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança
e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e
controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.
Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe
dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano
Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle
liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de
Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela
independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e
Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e
María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se
tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados
como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra
coisa.
Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos
direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus
60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente
eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma
organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a
mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa
nação.
Às instituições brasileiras,
faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos
jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de
falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma
nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer
o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que
perderam.
À comunidade internacional,
peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no
meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.
Aos senadores, deputados e
governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência
do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária
para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição
daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês
não podem correr.
E a você, que votou em mim e
sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é
apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela
liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo
brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o
imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para
impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que
permaneça firme e jamais desista.
Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta
não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser
um país livre. E esse dia vai chegar.
Que Deus abençoe o Brasil.