O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam,
defendeu que os Estados Unidos (EUA) não buscam, de verdade, um acordo
nuclear com o país persa. Segundo ele, isso poderia ser alcançado por
meio de negociações.
“Hoje, era previsto acontecer a reunião de especialistas de questões
nucleares em Viena [capital da Áustria] por meio da AIEA [Agência
Internacional de Energia Atômica]. Mas, novamente, a mesa de negociação
foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”, disse.
“Hoje, era previsto acontecer a reunião de especialistas de questões
nucleares em Viena [capital da Áustria] por meio da AIEA [Agência
Internacional de Energia Atômica]. Mas, novamente, a mesa de negociação
foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”, disse.
Em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, o embaixador do Irã
no Brasil, Abdollah Nekounam, convidou a imprensa para uma coletiva na
Embaixada do país, em Brasília, nesta segunda-feira (2).
Para o diplomata, Israel e EUA usaram as negociações da questão
nuclear como “farsa” para poderem promover a “mudança de regime” no Irã.
A agressão seria fruto de uma “visão” dos EUA que imaginam que são “os
donos do mundo”, defendeu o representante do Irã.
“O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que,
alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações
e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua
independência”, completou.
“O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que,
alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações
e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua
independência”, completou.
Nekounam destacou ainda que o país rapidamente substituiu o comando
do Líder Supremo Ali Khamenei, que foi assassinado no último sábado
(28), por um Conselho interino
que manteve a defesa do país de forma “contínua, firme e poderosa”, sem
descontinuidades na estrutura de Poder do Estado iraniano.
Para analistas consultados pela Agência Brasil,
a troca de regime em Teerã tem o objetivo de deter a expansão econômica
da China, vista como ameaça pelos Estados Unidos, além de consolidar a
hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.
Por outro lado, Tel Aviv e Washington alegam que o ataque
contra o Irã é “preventivo” já que o país estaria a desenvolver um
programa de artefatos nucleares, o que seria uma ameaça para Israel.
Teerã sempre sustentou que seu programa nuclear é para fins pacíficos.
O embaixador do Irã no Brasil Abdollah Nekounam questionou a
legitimidade dos Estados Unidos para “administrarem o planeta” citando o
caso dos arquivos de Jeffrey Epstein, financista estadunidense
condenado por abuso sexual de menores de idade e tráfico de pessoas.
“O nosso mundo tem valor muito superior para ser administrado pelos
‘reis’ que, nos arquivos do Epstein, estão cada vez mais envolvidos. As
pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não
valem administrar a soberania do mundo”, completou.
“O nosso mundo tem valor muito superior para ser administrado pelos
‘reis’ que, nos arquivos do Epstein, estão cada vez mais envolvidos. As
pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não
valem administrar a soberania do mundo”, completou.
As relações de Epstein
com a elite política norte-americana – o empresário foi amigo do
presidente Trump – tem provocado abalos políticos no país e entre
vários dos aliados de Washington.
O embaixador iraniano no Brasil destacou ainda que o país conseguiu
substituir o líder Supremo Khamenei sem prejudicar a defesa do país,
afastando hipóteses de que o país poderia ficar sem comando com a morte
de Khamenei.
“Irã é país soberano por completo e a gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”, disse Nekounam.
“Irã é país soberano por completo e a gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”, disse Nekounam.
Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado para assumir os poderes
de Khamenei enquanto a Assembleia dos Especialistas não elege o novo
líder Supremo.
“Vocês viram que, com o assassinato do Líder Supremo, que comanda
toda questão de defesa do país, as coisas se organizaram de forma célere
e rápida. A defesa [do país] está contínua, firme e poderosa”,
completou.
Questionado sobre a posição do Brasil em relação ao conflito, o embaixador Abdollah Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) que condenou o uso da força por Israel e EUA.
“Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma
ação valorosa e dá atenção aos valores do ser humano, de soberania, de
integridade territorial e de independência dos governos”, comentou.
“Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma
ação valorosa e dá atenção aos valores do ser humano, de soberania, de
integridade territorial e de independência dos governos”, comentou.
O diplomata defendeu o direito de Teerã de atacar bases militares dos inimigos.
“É nosso direito, porque nós fomos atacados, porque nós estamos nos
defendendo com direito legítimo. Sobre nossas relações de amizade, com
nossos países vizinhos, não há nenhum desentendimento. Nossas ações são
contra bases militares dos EUA e alguns centros do regime sionista. Que
isso não se considera ataque aos territórios desses países mencionados”,
justificou.
Calcula-se que os ataques do Irã tenham atingido alvos dos EUA em
países como Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes
Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia.
Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Pela segunda vez em oito meses, Israel e os EUA lançaram uma agressão
contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e
balístico do país persa.
Ainda no primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado
em 2015, sob o governo de Barack Obama, para inspeção internacional do
programa nuclear iraniano. Israel e EUA sempre acusaram Teerã de buscar
armas nucleares.
Os iranianos, por sua vez, defendem que o programa é para fins pacíficos e se colocavam à disposição para inspeções internacionais.
Por outro lado, Israel, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional do seu programa nuclear.
Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva
contra Teerã exigindo, além do desmantelamento do programa nuclear, o
fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a
grupos de resistência a Israel como o Hamas, na Palestina, e Hezbollah,
no Líbano.
Um dia antes da agressão contra o Irã, o chancelar de Omã, Badr bin
Hamad Albusaidi, que é o mediador das negociações entre Washington e
Teerã, informou que eles estariam muito próximos de um acordo e que o
Irã teria concordado em não manter urânio enriquecido em elevados
teores, que possibilitassem a criação de uma bomba atômica.
Agência Brasil