sexta-feira, 13 de março de 2026

Especialistas apontam responsabilização de tutores em ataques de animais


Um caso recente de ataque cometido por um cão contra um trabalhador, na Grande Natal, voltou a levantar o debate sobre a responsabilização de tutores diante de incidentes envolvendo animais. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, esses casos revelam falhas no manejo dos animais e não devem ser associados a uma “agressividade natural” de algumas raças.

No último dia 6 de março, o trabalhador Francisco Paulo da Silva, de 62 anos, morreu após ser atacado por um cão da raça pitbull. Ele havia sido contratado para realizar a limpeza da área externa da casa da tutora do animal, onde foi atacado na perna pelo cão. A tutora foi presa por suspeita de ter provocado o ataque e o caso segue sob investigação na Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

O médico veterinário Nirley Formiga, presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CRMV/RN), explica que a maior parte dos casos já acompanhados pela entidade envolvendo ataques de cães estão associados a falhas na guarda responsável e não ao aumento real da agressividade natural dos animais.

“A literatura científica indica que o comportamento agressivo em animais, especialmente cães, está muito mais relacionado ao manejo, socialização, treinamento e ambiente em que o animal é criado do que propriamente à raça. Qualquer animal pode apresentar comportamento agressivo quando exposto a situações de estresse, medo, dor ou manejo inadequado”, explica o presidente do CRMV/RN.

De acordo com Nirley Formiga, entre os erros mais comuns que podem ser cometidos pelos tutores estão a falta de socialização adequada desde o filhote, o manejo incorreto do animal, a ausência de treinamento e o estímulo involuntário a comportamentos agressivos. Além disso, a falta de cuidado com a saúde do animal pode causar dor ou irritabilidade.

A advogada Juliana Rocha, presidente da Comissão de Direito Animal da OAB/RN, também desmistifica a ideia de que alguns animais são naturalmente violentos. De acordo com ela, o principal desafio tem sido romper uma cultura que enxerga algumas raças como uma ferramenta de promoção à segurança.

“Infelizmente muitas pessoas ainda pensam que o animal substitui segurança, cerca elétrica e instrumentos de vigilância. Então escolhem, muitas vezes, um animal de grande porte para poder usar como guarda, como um cão da raça pitbull, e criam esse animal para que fique agressivo para a defesa de território”, destaca a advogada.

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