O Ministério Público Federal instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou de forma indevida informações sigilosas da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. A portaria foi assinada pelo procurador da República Gabriel Pimenta Alves no dia 15 deste mês.
A apuração tem origem em declarações públicas de Rodrigues em abril de 2025, nas quais ele afirmou que o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos) não era alvo da operação. O sindicalista conhecido por Frei Chico, irmão de Lula (PT), era o vice-presidente da entidade. O Sindnapi estava sob investigação no momento da declaração, o que gerou suspeitas sobre o conteúdo e a origem das informações transmitidas pelo chefe da PF.
O procedimento busca esclarecer em que circunstâncias Rodrigues teve acesso aos dados da operação, qual o teor exato de suas falas e se houve irregularidade na divulgação de informações protegidas por sigilo.
A 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF rejeitou o arquivamento e determinou o aprofundamento das investigações para verificar possível descumprimento de dever funcional. A portaria estabelece cinco medidas, entre elas o encaminhamento do caso à Justiça Federal para controle do juiz de garantias, a juntada da decisão judicial que decretou o sigilo do inquérito relativo ao Sindnapi e a expedição de ofício a Andrei Rodrigues para que preste esclarecimentos.
A Polícia Federal informou que não se manifestará sobre o caso.

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