
O governo federal acumula quase R$ 388 bilhões em despesas fora da meta fiscal até 2026, resultado de manobras como a PEC da Transição, a liberação de precatórios e a criação de programas emergenciais que ampliaram de forma permanente os gastos públicos.
Embora a gestão atribua parte do desequilíbrio às “heranças” deixadas por administrações anteriores, especialistas apontam que uma parcela relevante decorre de decisões da própria equipe de Lula, como a ampliação de benefícios sociais, reajustes salariais no funcionalismo e a utilização de situações de calamidade como justificativa para elevar despesas.
No mesmo período, o governo conseguiu reforçar a arrecadação em cerca de R$ 430 bilhões extras entre 2023 e 2027, sobretudo com aumento de impostos sobre setores específicos da economia. No entanto, esse ganho não foi suficiente para equilibrar as contas públicas, já que a expansão dos gastos tem ocorrido em ritmo ainda mais acelerado.
O resultado é a continuidade de déficits primários e a manutenção de uma carga tributária recorde, que chegou a 34,24% do PIB em 2024.
Pressão sobre a dívida pública
Esse cenário pressiona diretamente a dívida pública brasileira, que deve subir de 71,7% do PIB em 2022 para até 84% em 2026, um acréscimo equivalente a R$ 1,2 trilhão. Projeções mais pessimistas indicam que, se a política fiscal atual for mantida, o país poderá ultrapassar a marca de 90% do PIB antes do fim da década.
Para analistas, mesmo com a alta na arrecadação, a insistência do governo em expandir gastos compromete a sustentabilidade econômica e aumenta a desconfiança do mercado financeiro.
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